Rafaela e o Pai em pé. O pai de Rafaela segura uma revista em quadrinhos aberta. Ao fundo estante com revistas.

A família é muito presente na vida de Rafaela e sempre a apoia. Conversamos com Rafaela e os pais na casa deles no Rio de Janeiro. Sérgio Zylbersztajn de Abreu, pai de Rafaela, disse que sempre buscou estimular o desenvolvimento da filha:

“A gente sempre buscou dar as ferramentas e estimulá-la a se desenvolver. Não deixá-la ficar com pena dela mesma. Tendo sempre que ir para frente, vendo que é difícil, vendo que a luta é dura, mas que há possibilidades, que há formas de se desenvolver. E é um orgulho muito grande ver que ela está se desenvolvendo pela arte, e é muito amor”.

Rafaela escreveu e lançou um mangá, “Fairy Rainbow”, que conta a história de uma fada que luta contra o mal:

“Eu produzo histórias em quadrinhos, no estilo mangá, há mais de dez anos. Criei os personagens, criei a história, criei o perfil deles, aí, depois, eu fui pensando no que vai rolar no quadro a quadro, e aprendi o que é protagonista, antagonista, quadro a quadro, os cenários, história, coisa e tal. Lá em 2011, que eu criei o ‘Fairy Rainbow’, foi nessa data que eu criei o ‘Fairy Rainbow’. Fairy significa fada em inglês e Rainbow, arco-íris”.

O prefácio do Mangá de Rafaela é de Ziraldo. O cartunista falou sobre o talento de Rafaela:

“É comovente ver o talento criativo dela, a imaginação fervilhante da Rafaela. O negócio é o seguinte, esse livro é ótimo porque você vai vendo os desenhos da Rafaela e, à medida que você vai vendo o livro, ela vai melhorando o desenho e vai inventando mais história, e a cabeça dela tem uma disciplina impressionante”.

Este ano, Rafaela começou a cursar Design Gráfico na faculdade. Nossa equipe foi até lá. Rafael Argento, professor de Rafaela e designer, disse que ela é uma aluna bem interessada na matéria:

“Ela é bem efusiva, ela pergunta mesmo, ao contrário dos outros alunos. A maior parte dos alunos é bem retraída em comparação a ela. Ela não, às vezes no meio da aula, ela não entendeu alguma coisa, ela levanta a mão e fala: ‘Olha, não eu entendi isso aí que você tá falando, repete’. E eu vou lá e repito. Eu acho importante e acho que para ela foi bom”.

Daniela Cardoso foi a orientadora educacional de Rafaela e a responsável por fazer a inclusão dela no Ensino Médio.  Conversamos com Daniela e também com a mediadora Márcia Pimenta, que acompanhou Rafaela em sala de aula. Daniela contou como era feito o trabalho dela com a estudante:

“Mensalmente, eu vinha como professora orientadora à escola, para saber como estava o desenvolvimento dela, se era preciso fazer mais adaptações, se era preciso preparar mais os professores para receberem uma aluna como ela. Cada aluno é diferente do outro. Então é muito importante essa convivência familiar, essa parceria da família. Então, cada vez mais, é preciso que as escolas se adaptem, que as escolas estudem, que as escolas estejam abertas e que todos que participam desse processo inclusivo, seja do porteiro a merendeira, estejam conscientes de que têm responsabilidade na inclusão de cada aluno que passa pela escola”.

0
0
0
s2sdefault