Ricardo tem 33 anos e está dentro do espectro do autismo. A mãe dele, Dalva, escreveu dois livros sobre a história do filho:

“Eu tive a ideia de ir anotando tudo o que aconteceu com ele, falando, falando... quando eu vi, tinha dados ali que eu resolvi transformar em um livro. E aí, eu escrevi o início da vida dele todinha até os 25 anos, que é o "Mãe, me ensina a conversar". E depois que eu lancei esse livro, eu passei sete anos escrevendo o segundo, que é o "Mãe, eu tenho direito", anotando sete anos todo o comportamento do Ricardo, mudanças que ocorreram com ele”.

A neuropediatra Silvia Miranda conversou com a nossa equipe para esclarecer algumas dúvidas sobre o autismo:

“O autismo seria quando a pessoa tem dificuldade na comunicação global, não é só na fala. As pessoas pensam: ‘Ah, não está falando, pode ser autista’. Não é bem isso. São pessoas que têm dificuldade no comunicar, no global, principalmente na leitura do que se passa em volta de si próprio. Uma delas é aquele bebê que não olha para você nos olhos, é aquela criança que não interage com você”.

Nossa equipe foi até Vitória conhecer o Robô Maria, que ajuda no desenvolvimento de crianças com autismo. O professor Teodiano Frei de Bastos Filho, do programa de pós-graduação em engenharia elétrica e do programa de pós-graduação em biotecnologia da UFES, de Vitória, e responsável pela pesquisa com o robô Maria, contou como surgiu a ideia de fazer o robô:

“Nós temos já a experiência de vários anos em desenvolver tecnologias assistivas, que são as tecnologias de ajuda à qualidade de vida das pessoas com deficiência. Nós nunca tínhamos trabalhado com crianças com autismo e por isso, nós pensamos: ‘por que não tentarmos fazer esse trabalho específico com essas crianças?’. Então, a ideia surgiu em uma combinação de fatores: robótica móvel, tecnologia desenvolvida para pessoas com deficiência e, logo, a junção dessas duas áreas para poder ajudar as crianças com autismo”.

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