Eduardo tem 51 anos, é casado e tem dois filhos. Fomos até a casa de Eduardo para conhecer a família dele. Sandra Meneghelli, esposa de Eduardo, falou sobre como os dois se conheceram e ela se apaixonou:

“Eu lembro que toda vez que o Eduardo chegava à escola que eu estudava, os amigos dele tiravam ele de cima da moto e o colocavam em cima da mesa do refeitório. Eu achava interessante que ele tinha muitos amigos e as pessoas que estavam em volta do Eduardo sempre estavam rindo muito. E eu comecei a ficar curiosa. Eu comecei a me aproximar e fui conhecendo o Eduardo e ele me contagiou. Porque o Eduardo é assim, ele simplesmente contagia com a alegria dele, com essa força de viver dele, quem está do lado.”

O filho mais velho de Eduardo, Eduardo Meneghelli Neto, falou sobre a relação com o pai:

“Para alguém que acha que uma pessoa com deficiência não pode ser pai, ela está completamente enganada. O meu pai, mesmo com deficiência, ele me ensinou a ser homem, me ensinou a ter responsabilidade. Mesmo sem andar, ele me ensinou a caminhar, me ensinou a levantar, quando eu estou com algum problema, eu falo com ele. Ele é a melhor pessoa para isso. Então, meu pai é o cara!”

Nossa equipe conversou com alguns amigos de Eduardo. João Batista, amigo da época do colégio, falou sobre a amizade dos dois:

“Eu tenho um irmão deficiente e aí a conversa com o Eduardo começou assim. Eu queria entender como que ele foi criado. E a partir daí, surgiu a amizade da gente. E a partir do dia que o Eduardo começou a ir na minha casa, o meu irmão foi melhorando. Ele vivia quase que interno, dentro de casa. Depois, ele passou a ir à rua conversar, começou a sair. Então, o Eduardo foi um incentivo muito grande para mim, um cara muito legal, um irmão, e auxiliou bastante a gente lá em casa nessa situação.”

Eduardo adora andar de triciclo. Ele contou para gente sobre essa paixão:

“Esse triciclo nasceu de um sonho, quando os meus amigos, esses amigos da juventude começaram a ter os seus empregos e a comprar as suas motos. Eu não quis ficar para trás, porque um dia eu ainda ia ter a minha namorada e queria ter como sair com ela sozinho. Então, eu comecei a ter esse sonho e a pesquisar como que eu poderia um dia dirigir. Eu levei dois anos e meio construindo esse triciclo. Eu desenhei parafuso por parafuso, projetei a suspensão traseira, porque é um triciclo artesanal com diferencial de carro.”

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