Léo Akio é professor/doutor em Matemática. Ele escreveu uma tese que aborda o ensino da contagem e das primeiras noções numéricas para crianças com síndrome de Down.  Leo falou sobre esse estudo.

“Quando eu entrei no doutorado, queria fazer alguma coisa com os anos iniciais. A minha orientadora, me disse o seguinte: ‘Já que você vai fazer alguma coisa com os anos iniciais, por que não faz alguma coisa relacionada a alguma deficiência? ’. Eu fui buscar na internet e encontrei um artigo que dizia que as crianças com síndrome de Down têm particular dificuldade com contagem. Então, aquilo me intrigou. O título da minha tese é ‘Uma Abordagem Multissensorial para o Desenvolvimento de Números para as Crianças com síndrome de Down’. Minha primeira preocupação foi dar significado para a sequência numérica padrão de um até dez. Eu perguntava para eles que números eram esses e aí espalhava esses cartões aqui na frente deles e pedia para que eles colocassem em ordem. Nisso eles não têm dificuldade nenhuma, porque a memória viso-espacial deles é intacta.”

Nossa equipe visitou o Centro de Referência em Educação Especial Instituto Municipal Helena Antipoff, no Rio de Janeiro. Lá, conversamos com alguns professores para saber sobre materiais que auxiliam pessoas com deficiência visual no aprendizado da Matemática. O professor Celso Chagas explicou como funciona o método soroban.

“O soroban é o ábaco e é um aparelho facilitador para a Matemática. O método que eu utilizo parte da ordem mais baixa para a mais alta. Unidade com unidade, dezena com dezena. Esse soroban tem vinte e um eixos, que são ferrinhos que começam no canto, atravessam a conta superior, passam por baixo da régua, atravessam essas quatro contas de baixo e são presos no canto. Cada conta de baixo vale um e a conta de cima vale cinco e o zero é quando não tem nenhuma, nem em cima nem embaixo encostada na régua.”

No quadro Do Meu Jeito, Luciano Alves, jornalista, mostrou para a nossa equipe as adaptações que fez em alguns objetos e contou como faz para ler e assistir TV.

“Para assistir televisão e para almoçar, eu utilizo uma mesinha, com um acolchoado embaixo, e uma tábua de material reciclado. E, aí, eu coloco tanto o controle, quanto às vezes também um livro. E a altura dela é propícia para que eu não tenha que me abaixar muito para mexer no controle. A haste é de alumínio, com um bocal feito de plástico, e eu coloquei um pincel cortado com uma borracha, daquelas que utilizam-se em lápis, na ponta. Essa borracha dá aderência o suficiente para poder manusear o controle.”

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