Nossa equipe conversou com a escritora Paula Pfeifer, que tem deficiência auditiva. Ela começou a perder a audição na infância e, aos 31 anos, decidiu fazer um implante coclear. No livro Novas Crônicas da Surdez: Epifanias do Implante Coclear, ela conta sobre sua trajetória e sobre a experiência de voltar a ouvir.

“Em 2010, eu criei um site que se chama Crônicas da Surdez, com o objetivo de ser para as pessoas a amiga que eu nunca tinha tido. Eu comecei contando das minhas experiências. À medida que o tempo passou, eu fui adicionando notícias, novidades, lançamentos de livros, de filmes com a temática da surdez. E uma parte bem legal também é que as pessoas me mandavam as histórias delas. Foi bacana, porque a gente foi mostrando que em todas as profissões existem pessoas usando aparelhos auditivos, implante coclear e passando pelas mesmas coisas que a gente passava. A partir do crescimento do site Crônicas da Surdez, eu decidi lançar o meu primeiro livro, que tem o mesmo nome do site e fala basicamente sobre como é a vida sem escutar. E o segundo livro, eu lancei esse ano e se chama Novas Crônicas da Surdez: Epifanias do Implante Coclear. E ele fala sobre todo o processo de como foi chegar na surdez profunda, tomar decisão de procurar saber se era candidata a cirurgia ou não, a ativação, o pós-ativação”.

Luciane Rangel é professora de LIBRAS e é surda. Ela escreveu o livro Ane e Jota. Amigos de Mundos Diferentes, que fala sobre a amizade de uma menina surda e um menino ouvinte.

Eu nasci ouvinte e com dois anos e meio peguei meningite e tive uma perda auditiva e me tornei surda profunda. Eu comecei a aprender LIBRAS com 12 anos e, aí, foi quando eu comecei a ter contato com a comunidade surda e fui para escola. Eu tenho uma experiência como professora, dou aula de LIBRAS e mostro a importância do surdo, o que é a surdez, o que é o surdo, porque muitas pessoas não conhecem. Eu comecei a escrever alguns poemas, algumas poesias e, aí, surgiu a ideia de escrever um livro contando a história da LIBRAS, da cultura surda para crianças, para as crianças saberem o que é o mundo surdo, o que é o surdo. Na verdade, não é a história da minha vida, são histórias que eu fui pegando e fui escrevendo de acordo com a cultura surda e de acordo com a minha imaginação, e aí criei esse livro, essa história, porque eu fiquei muito preocupada com as crianças, porque quando elas forem ler, elas vão saber realmente o que é a cultura surda, o mundo do surdo. Porque as crianças, hoje em dia, não sabem, elas acham que os surdos são diferentes dos ouvintes. Mas não, é para mostrar que somos iguais, nós usamos a visão, mas somos iguais aos ouvintes. E foi isso que me incentivou a escrever este livro. E, também, para ensinar as crianças, para que elas aprendam a respeitar tanto o surdo, quanto o ouvinte. As ilustrações do livro são do meu amigo que é o João Paulo, que está sendo representado pelo Jota no livro”.

No quadro dica, nossa repórter Fernanda Honorato foi ao Espírito Santo conhecer o Parque Botânico, que oferece acessibilidade para pessoas com deficiência. Mônica Avancini, que é analista ambiental, falou sobre as atrações do parque:

O Parque é acessível para pessoas com deficiência. Aqui logo na entrada do Parque, a gente tem o Vagão do Conhecimento, que é um espaço de incentivo a leitura, que possui uma rampa para acesso a cadeirantes, uma mesa específica para atendimento ao cadeirante. E a gente também tem aqui os audiolivros, com mais de 250 exemplares para atendimento e uso exclusivo da pessoa com deficiência visual, que traz literaturas diversas, filosofia, dentre outros, que são emprestados para a pessoa com deficiência visual, que pode usufruir dentro do vagão ou serem emprestados. A gente tem o Jardim Sensorial, Orquidário e trilhas ecológicas. A gente tem a Trilha do Sentidos, que se chama Trilha dos Sentidos por isso mesmo, para explorar os sentidos. Aqui a pessoa cega ou deficiente visual enxerga com as mãos. E essa trilha é adaptada também, as informações que a gente tem são todas em Braille, nas placas em Braille. E os empregados também passaram por treinamento para aprender a Língua de Sinais”.

Ainda no programa, a psicóloga Telma Souza deu uma dica de como é a terapia com famílias de crianças com deficiência.

A terapia sistêmica vê a família como um conjunto que funciona interligado. Então, no nosso trabalho, quando a gente recebe uma família, por exemplo, com uma criança com um diagnóstico de qualquer tipo de deficiência ou dificuldade, a gente não trabalha só o paciente identificado, que no caso seria a criança, a gente busca acolher e incluir no trabalho toda essa família. Não só a família de origem, essa família que vem até a gente, mas a família estendida também, os avós, os tios, os padrinhos, quem são as pessoas que fazem parte deste núcleo familiar. Quando a gente pega uma família, como um diagnóstico de autismo ou um diagnóstico de síndrome de Down bem no início, a gente sabe que essa família está, nesse momento, passando por uma situação, por um estressor muito grande, que causa transformações em todo esse núcleo familiar. Então daí a importância desse acolhimento a essa família”.

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