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A bocha teve origem na Grécia e, em 1984, passou a fazer parte das paralimpíadas. A coordenadora técnica Márcia Campeão, conversou com a nossa equipe sobre o esporte.

“A bocha é uma modalidade que foi destinada a pessoas com deficiência severa. Ela é adaptada da bocha convencional, então, de todas as modalidades paralímpicas, a bocha se destina a atletas com grau mais severo de comprometimento. A bocha paralímpica é dividida em quatro classes, de acordo com o grau da deficiência desses atletas. Primeiramente, surgiu a classe BC1 e BC2, que é destinada a pessoas com grau de comprometimento severo, mas que tinham condições de pegar a bola e lançar. Mais tarde foi criada a classe BC3, porque pensou-se em oportunizar para aquelas pessoas que sequer conseguiriam pegar a bola com a mão. Para isso, foi adaptada uma calha, um dispositivo auxiliar que pudesse a bola ser lançada e corresse por aquele dispositivo. Para tanto, é usado o recurso de ter um calheiro, uma pessoa que dê sustentação a essa calha e que obedeça o comando do atleta. Então, na verdade, o calhero é mero executor da vontade do atleta. Mais tarde foi criada a classe BC4, para pessoas com deficiência, com funcionalidade similar à da paralisia cerebral, ou seja, um comprometimento severo nos quatro membros. A bocha estreou no programa paralímpico em 1984 e a primeira representação do Brasil foi em 2008. Apenas com dois atletas, nós trouxemos a medalha de ouro individual com o atleta Dirceu e bronze com o atleta Eliseu. E a medalha de ouro em pares BC4. A bocha pode ser jogada individualmente, pode ser jogada em pares ou pode ser jogada em equipe, dependendo da classe. Pares é jogado nas classes BC3 e BC4, equipe classes BC1 e BC2. O grande resultado da bocha, além das medalhas que a gente almeja, é garantir a consciência da possibilidade de participação dessas pessoas com deficiência severa. “

O atleta Eliseu dos Santos contou como começou a praticar a bocha e falou sobre a carreira no esporte.

“Minha classe na bocha é a classe BC4 e eu tenho distrofia muscular. Eu conheci a bocha por intermédio de um amigo. Ele me levou para fazer fisioterapia e, lá, através do professor, que é o nosso técnico, o Darlan, eu comecei a praticar. Eu treinei 2 meses e fui disputar o primeiro campeonato, que foi um Brasileiro em Alfenas. Eu fui lá para pegar experiência. Chegando lá, eu consegui ficar em terceiro lugar e o que me marcou muito foi, quando eu voltei para casa, ver o olhar de orgulho da minha mãe. E, aí, eu conversei com o professor e falei: 'Já que eu entrei no esporte então eu vou treinar para cada vez evoluir e, no ano de 2006, eu quero ser campeão brasileiro' e deu certo. A bocha completou a minha vida, no esporte eu conheci a minha esposa e hoje temos o nosso filho, tenho a minha família, consigo manter a minha família. Então o esporte é tudo na minha vida. Eu tenho 6 títulos brasileiros individuais, tenho 5 títulos em dupla brasileiros, tenho 2 Copas Brasil em duplas, tenho 4 regionais, tenho 3 paulistas, paralimpíadas, eu tenho 2 medalhas de ouro na dupla e 2 bronzes individuais e a mais recente agora foi o ParaPan de Toronto, eu fui ouro na dupla e fui ouro na individual.”

A psicóloga Talita Hermam falou sobre a importância do apoio psicológico na prepração dos atletas.

“O meu trabalho na realidade é fazer a preparação mental dos atletas. Eu trabalho com o treinamento de habilidades psicológicas, eu avalio as demandas dos atletas, traçar o perfil psicológico deles, e sempre de acordo com aquilo que os técnicos também trazem como demanda. A preparação mental deles consta desde os trabalhos durante os treinamento e, no pré-jogo, a gente faz algumas técnicas do que eles devem utilizar durante o jogo, e, no pós jogo, a gente também faz um trabalho de análise crítica, juntamente com os técnicos.”

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