Nossa equipe conheceu Eni de Carvalho, que é arte-educadora. Pensando nas pessoas com deficiência visual ela, começou a fazer pinturas táteis. Eni abriu um ateliê, onde guarda mais de 600 obras e recebe visitas agendadas e gratuitas.

“Eu desenvolvo um projeto social voluntário nas artes plásticas, dedicado aos cegos e a todo o espectador das artes. O nome é Tocar e Sentir. Esse projeto nasceu quando eu cheguei em casa, abri o jornal e li: "Cegos vão a museu e não tem acesso a obra de arte". Eu falei: "eu posso pintar para o cego". Desse momento em diante eu parti para a pesquisa, convivendo com eles. Fui para a escola aqui em Belo Horizonte, no Instituto São Rafael, lá eu fiz oficina e tive apoio da professora de arte, que é também cega, a Sueli Lopes. Nisso nós fizemos várias experiências e vivências. Por exemplo, os cegos queriam pintar. Aí, eu comecei a trabalhar a cor, eu tinha que trabalhar primeiro a questão da cor e ir explicando. Utilizei os outros sentidos para poder levá-los a cor. Eu levei várias frutas, uma diversidade de frutas, então, no momento que ele chupava a uva, eu falava a cor da uva por fora. E fui também empregando diversos materiais, eu trabalho muito com material reciclado para criar as texturas. Eu trabalho com, por exemplo, tecido, aí eu fui fazendo flores e inserindo nas telas, fui diversificando os materiais para criar texturas diferentes. Quando o cego chega para conhecer o meu trabalho, eu o acompanho e vou deixando que a coisa flua naturalmente, ou ele lê em Braille primeiro o texto, ou depois toca na tela, ou toca na tela primeiro e depois ele lê, fica bem em aberto. E com isso, não existe nenhuma inteção que ele adivinhe nada, a inteção é que ele se sinta incluído.”

Katia Santana é artista plástica, mora em Belo Horizonte e tem paralisia cerebral e pinta há mais de 15 anos. Izabel Nadine, mãe da Kátia, contou como ela começou a desenvolver a pintura.

“A Kátia começou a pintar aos 14, na época ela pintava em cartolina e aí ficou. Até que um dia descobrimos que ela tinha talento. Aí, procuramos uma pessoa, que é professora dela até hoje, e, com isso, ela participa de vários programas de inclusão. Primeiro ela participou do Arte Superando Barreiras e o segundo foi Arte Sem Fronteira. Quando a Kátia está pintando, se entrega totalmente, ela cria um outro mundo. E é interessante vê-la pintando, porque, assim, ela se transforma. Porque é uma entrega cem por cento e é fantástico vê-la pintando. A pintura trouxe para ela a independência e também alegria de viver. Ela fala que a pintura dá para asas, então são as asas da imaginação. Quando Kátia termina uma pintura, eu olho para ela e enxergo um novo mundo, um mundo de pureza, de sensibilidade, de alegria.”

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