Nosso repórter, Zé Luiz Pacheco, foi a Carcavelos conhecer um projeto de surf para pessoas com deficiência. Nuno Vitorino, presidente da Associação Portuguesa de Surf Adaptado, contou para Zé a história da iniciativa:

“A associação surgiu, principalmente, da vontade das pessoas com deficiência de começar a querer ir ao mar. Nós tínhamos que ser organizados, começar a prestar formação para voluntários poderem colocar pessoas com deficiência no mar, em segurança. Portanto, a associação nasce com esse movimento de sorrisos, de dar significado às vidas. Eu fazia bodyboarding antes do meu acidente. Aos 18, levei um tiro e fiquei tetraplégico. Depois, fui atleta paralímpico de natação, competi com muitos atletas do Brasil também nos jogos paralímpicos. Por volta dos meus 28 anos, estava em Carcavelos, e, de repente comecei a sentir uma impressão, o mar a chamar-me, eu tinha que voltar ao mar. Isso não se fazia na Europa, foi a primeira vez que começou-se a fazer isso, aqui nesta praia. A partir daí, começamos a fazer crescer o movimento e já colocamos mais 1300 pessoas com deficiência a surfar.”

Ainda em Portugal, Fernanda Honorato e Zé Luiz Pacheco conheceram a companhia de dança CiM. Eles conversaram com Antônio Roque, diretor-geral do projeto, sobre o início e o objetivo da companhia:

“A companhia começou com um convite que foi feito, a partir de uma ONG na cidade de Tours, na França. Fomos convidados a participar de um evento e, também, com uma coreografia para fazer a passagem de modelos. Acontece que, como nós não tínhamos experiência nenhuma nesse campo, convidamos uma série de jovens com paralisia cerebral e alguns técnicos trabalhavam com eles para serem modelos. Portanto pessoas sem deficiência e com deficiência. Os jovens com deficiência, sobretudo, disseram: "A gente quer continuar a ensaiar". O que eles acharam importante não foi tanto o fato de ter ido desfilar, foi o processo de construção do espetáculo, ou seja, os ensaios. Ele queriam continuar a ensaiar, então continuamos a ensaiar. Como havia aqui também um festival organizado pela associação VoArte, chamado Lugar Avança, que era um espetáculo que se dava na rua, nós decidimos, então, montar um espetáculo para a rua. E, assim, nasceu o primeiro espetáculo da companhia. E para não desaparecer essa experiência era necessário criar uma estrutura. A estrutura passou a chamar-se Companhia Integrada Multidisciplinar.”

 

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