Nossa repórter, Fernanda Honorato, conheceu o projeto Down Cooking, que ensina culinária para pessoas com síndrome de Down. Orquidea Silva, responsável pela iniciativa, contou para Fernanda como surgiu e qual é o objetivo do projeto:

“Eu fui inspirada um pouco por uma amiga minha que vive em São Paulo, Simone Berti, que tem um projeto que também se chama Down Cooking, só que o dela é Chefs Especiais. E eu, na altura, adorei o que ela fazia e todo o projeto em si. Falei com ela, tivemos uma conversa, ela explicou-me um pouco quais seriam as atividades e como eu poderia fazer. Deu-me um bocadinho do know-how dela e também de todas as experiências que ela já tinha tido e eu decidi, então, implementar o Down Cooking em Portugal. Eu acho que, para mim, o maior prazer que eu tenho na vida é este momento, é partilhar tudo também que eu consigo com eles, e eu tenho o meu carinho, porque não sou chef de cozinha. Temos aqui uns momentos que nunca mais esquecemos, portanto é muito bom para todos nós. O que sentimos é que eles aprendem a ser autônomos na cozinha, conseguem muitas vezes ajudar os pais em tarefas na cozinha e, depois, quando decidem viver sozinhos e ter outra vida, conseguem realmente fazer algo na sua própria casa. Eu acho que um problema que existe ainda em Portugal é de aumentar oportunidades. E eu gostaria de ajudar no sentido de que eles possam, além de aprender aqui conosco, conseguir empregos e seguir uma carreira na cozinha.”

Em Sintra, Zé Luiz Pacheco fez uma visita ao Castelo dos Mouros para conhecer um pouco mais sobre a cultura do país. Ele conversou com Carolina Martins, que é doutoranda em acessibilidade nos parques, sobre as adaptações para pessoas com deficiência que foram implementadas no Castelo.

“No caso do Castelo dos Mouros, o foco foi principalmente nas pessoas com mobilidade reduzida. Tínhamos alguns problemas como, por exemplo, o percurso ser muito inclinado, o pavimento ser muito irregular e por não ser possível realizar nenhuma alteração física sob o risco para o patrimônio que gerimos. Outros problemas foram, por exemplo, a presença de alguns lances de escadas, que, para o caso dos cadeirantes, é muito complicado ultrapassar e também a falta de um espaço de estar, um espaço de presença em que a pessoa não fosse só vir visitar e sair, mas que pudesse ficar um pouco mais. Então, nós tivemos esses problemas, essas barreiras. A utilização do equipamento de tração foi uma mais valia, permite que qualquer pessoa em cadeira de rodas percorrer percursos com inclinação de até 20%, o que para nós, no caso de todos os parques, inclusive o Castelo dos Mouros, foi muito importante. Isso ultrapassa o problema do pavimento e da inclinação também. Finalmente, em nível de ter um espaço para aumentar a vivência de todos os visitantes, resolve-se então, fazer um centro de apoio aos visitantes. Ou seja, é uma estrutura que resolvemos fazer em madeira que tem loja, cafeteria e banheiros acessíveis. Portanto, através das estruturas rampeadas, é possível acessar todos esses espaços. No início do projeto, que começou em 2013, no primeiro ano já tivemos um aumento de pessoas com deficiência na ordem dos 19%. Felizmente, em 2015, tivemos um aumento de 23%, ou seja, cada vez estão a vir mais. No início um pouco mais desconfiados, em locais como, por exemplo, o Castelo dos Mouros, ninguém imagina que um local que foi concebido para ser inacessível pudesse de alguma forma ser acessível.”

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