Nossa equipe foi até Brumadinho o conhecer o Instituto Inhotim e conversar com Raquel Novais, diretora-executiva do local. Ela falou sobre as obras de arte e sobre a inclusão de pessoas com deficiência no Instituto:

“Temos dois acervos: um de arte contemporânea e um botânico. A gente tem uma coleção de mais de 5 mil espécies e elas servem tanto para os projetos paisagísticos dos jardins, como também para pesquisas, como catalogação, como intercâmbios com os outros Jardins Botânicos. E, hoje, a gente tem uma área de visitação de 140 hectares e 500 obras em exposição. Essas obras estão expostas em galerias e também abertas nos jardins. Então, o visitante que vem a Inhotim tem a experiência de ver obras de arte expostas de uma maneira única no mundo, porque aqui a gente anda pelos jardins e encontra com essas obras. Você tem a oportunidade também de entrar em algumas gelerias, algumas com artistas diversos, de algumas gerações. E, também, galerias monográficas, que têm acervo de um artista específico. Um dos eixos que o nosso educativo trabalha, desde sempre, é a preocupação de não só garantir o acesso às obras, mas o acesso para todas as pessoas. A arte contemporânea permite não só contemplar, você pode contemplar, mas você também pode ter outras relações sensoriais, que seja tátil, auditiva. Então, a gente tem no acervo obras onde as pessoas com deficiência podem ter a mesma experiência que outras pessoas que não têm nenhum tipo de deficiência”.

Wendel Silva trabalha no setor educativo do Instituto Inhotim. Nós conversamos com ele para saber como funciona a visita mediada para pessoas com deficiência visual.

“ Aqui no Inhotim, no setor educativo, nós recebemos pessoas de grupos escolares, pessoas que vem em visitas livres e o nosso trabalho é estimular a experiência dessas pessoas aqui nos nossos acervos, através de visitas mediadas. Um desses grupos que a gente recebe é o de pessoas com deficiência. Para este tipo de público, nós criamos propostas que estimulem o diálogo, ou seja, nós nunca vamos fazer aquela visita guiada, em que eu fico falando e pessoa só ouvindo. É sempre o diálogo entre mim e a pessoa. A experiência aqui é sempre valorizada. Um exemplo desse circuito sensorial é o espaço dos Jardim de Todos os Sentidos, que fica no viveiro educador. Nele há três jardins circulares, que contêm plantas medicinais, plantas aromáticas e plantas tóxicas. Nos espaços de plantas medicinais e aromáticas, a pessoa com deficiência visual pode tocar nas espécies, cheirar e ela pode até provar aquela planta que a gente tem em casa para fazer chá, aquela planta que a gente usa no tempero, como o manjericão, por exemplo”.

Além de se preocupar com a acessibilidade do local, o Instituto Inhotim também conta com funcionários com deficiência. Rosemary Calisto, que é monitora de galeria e tem síndrome de Down, falou sobre o trabalho no Instituto:

“Eu trabalho aqui no Inhotim há 8 anos. Eu trabalho como monitoria, eu já visitava o parque. Aí falei assim: "Eu quero trabalhar, igual a minha irmã trabalha, minha mãe trabalha em casa, meu pai trabalha, e eu não. Mas eu quero trabalhar." Eu trabalho aqui de monitoria, recebo o turista, o visitante, eu falo inglês para eles se vem um estrangeiro. Aí fico la dentro, assim: "Olá, bom dia, sejam bem-vindos. Essa é a galeria Cosmococa. E, aqui, para você interagir com a galeria é para você ficar descalço."

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