Virgínia Menezes, consultora em audiodescrição e psicóloga, falou sobre como enfrentar a perda da visão e como a família pode ajudar:

“Como psicóloga, poderia dizer que não existe uma psicologia da cegueira, uma psicologia da perda. Mas o que a gente percebe é que essa situação, muitas vezes, colhe todo mundo meio de surpresa, os familiares, todas as pessoas envolvidas nessa questão, ficam muito abaladas com isso. É natural que fiquem, mas acontece que essa questão, que desestrutura toda a parte familiar, dificulta para todos essa nova situação da cegueira. Então acontece muito de o familiar ficar tendente a super proteger o deficiente, fica achando que o deficiente não é capaz de fazer as coisas, que ele vai cair, que ele vai tombar, que ele vai machucar, que não é capaz. E como é que aquela pessoa vai conseguir retomar, readiquirir o seu lugar social, algum lugar na vida? Mas, no início, nessa história nova, a própria pessoa tem que fazer contato com essa questão.”

O compositor Waldir Lopes contou como foi o processo de retomada da independência:

“Eu pensei, assim, comigo mesmo: 'Bom, eu tenho que encarar isso, agora é a minha realidade. Eu sou cego, então, como eu vou viver com isso?' Eu fui morar com pessoas cegas, que nasceram cegos para saber como eles vivem. Fui ver isso de perto para aprender e poder passar para a minha família. Hoje em dia, a gente já está se encontrando. Eu acho que o camarada tem que encarar a cegueira. A gente tem que se mostrar mais e ter coragem de explicar e mostrar como as pessoas podem ajudar a gente, porque nem todo mundo sabe ajudar. A pessoa quer pegar logo, botar a mão na gente e sair puxando. Eu digo: 'Não, peraí, peraí, calma não é assim. Me dá o braço, deixa eu botar a mão no ombro'.”

Bruce Maciel é massoterapeuta e conversou com os convidados sobre a importância da luta pelos direitos da pessoa com deficiência:

“Você tem que andar com a bengala toda hora para provar que é deficiente, não é fácil. Mas a gente tem que mostrar que é deficiente visual e a bengala é justamente para isso, é a nossa defesa. É o nosso respeito, é a nossa apresentação, é o nosso locomover. É, claro, que eu tenho muitas dificuldades, eu tive dificuldades no colégio, ter que ampliar provas. Na própria faculdade não existia o DosVox. Eu fui o primeiro aluno na faculdade de Comunicação na FACHA, a colocar o programa DosVox para ter acessibilidade na sala de informática. Também tive muitas dificuldades na pós-graduação, ter de ampliar textos, eu mesmo gravo as aulas. A minha mãe lia para mim, à noite, textos para eu poder fazer provas, estudar. Ainda tem muito o que conquistar, seja o deficiente visual, auditivo, locomotor, qualquer um ainda tem que enfrentar muita barreira. No caso do deficiente visual, no mercado de trabalho ainda tem que expandir muito.”

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