Nossa equipe foi até Curitiba conhecer o casal Débora e Felipe. Eles são os criadores do Chef Cenoura, um canal de culinária vegetariana na internet. Débora Pereira contou como aprendeu a LIBRAS e como eles começaram a gravar:

“Eu tenho uma irmã mais velha, que é a Janaína. Ela nasceu ouvinte, mas ficou surda algumas semanas depois do nascimento. E, quando nasci, todo mundo usava LIBRAS, eu cresci em uma família bilíngue. Em casa, tudo que era falado era dito na Língua Portuguesa e na Língua de Sinais. E o mais interessante é que, mesmo a Janaína não estando em casa, era obrigatório falar e usar LIBRAS. E um dia eu estava conversando com o Felipe na cozinha e me veio o clique: "E se a gente filmasse as receitas e eu traduzisse para a Língua de Sinais?". E o Felipe gostou na hora, eu conversei com a minha irmã e perguntei se isso ia ser útil de alguma forma para o surdo, porque se não fosse útil a gente não ia filmar. E ela falou "Débora, é ótimo", porque ela disse que não assiste vídeos de receita no Youtube ou na televisão porque para ela é complicado acompanhar o que está sendo feito pelo apresentador e ler a legenda ao mesmo tempo. Esse é um canal inclusivo para ouvinte e para surdo, então os dois têm que se sentir bem assistindo o programa e o retorno da comunidade surda tem sido fantástico, a gente recebe mensagens muito bonitas dos surdos”.

A TV INES é uma Web TV em que a pessoa surda é protagonista. Joana Peregrino, gerente da TV Ines, falou sobre como o canal surgiu e sobre a programação:

“No final de 2012, a Roquete Pinto estava pesquisando formas de promover a acessibilidade nos conteúdos produzidos e a gente foi procurar o INES para pegar uma consultoria, saber como eles poderiam ajudar a gente. Nessa ocasião, descobrimos que eles estavam realizando alguns conteúdos com acessiblidade, com LIBRAS, com legendas. E aí, a gente, na verdade, casou as duas vontades. A gente de fazer conteúdo com acessibilidade e eles com vontade de fazer uma televisão bilíngue, no caso LIBRAS e Português.

Nós produzimos 12 programas aqui, com conteúdo sobre esporte, entretenimento, cinema. A gente procura ter uma programação muito diversificada para atingir o público surdo, que não tem, digamos, um acesso integral nas mídias tradicionais. Então, é uma programação que ele pode assistir integralmente, inclusive, se ele tem ouvintes na família, vai poder acompanhar a programação da TV INES junto com seus parentes, por exemplo.”

Clarissa Guerretta, apresentadora da TV Ines, falou sobre a importância da acessibilidade na televisão:

“Eu sou surda e trabalho aqui como apresentadora da TV INES. A TV INES tem um trabalho muito importante na acessebilidade, tanto em LIBRAS, quanto em Português falado. Os surdos e ouvintes tem uma interação muito boa e a sociedade vê isso também. O surdo vê o ouvinte e o ouvinte vê o surdo, isso está se abrindo. Então, é um trabalho muito importante na visibilidade do surdo, do trabalho dele. A experiência, a TV mostra que o surdo é capaz, que pode viajar, que pode trabalhar em avião, em culinária, medicina, a TV mostra isso, os ouvintes veem que o surdo é capaz. E o público ouvinte, que tenha pais surdos, por exemplo, filhos de surdos, podem assisitir e crescer também.”

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