Lília Martins, presidente do Centro de Vida Independente, fala sobre a deficiência dela, sobre o início do projeto e da proposta do CVI:

“Eu tive poliomelite aos dois anos de idade, e no desenrolar de toda a minha vida sempre o tema da inclusão social foi muito pertinente, porque quando criança não pude frequentar a escola primária. Eu tive o desejo, em uma certa fase, de romper tudo isso e foi quando eu procurei e tive acesso a uma escola que, na época, era uma tradicional. Foi um movimento muito importante na minha vida, eu ainda consegui uma cadeira do exterior, na época, nem havia indústria nacional. Eu considero que nessa minha história, esse equipamento, a cadeira de rodas, que é tida como uma prisão, eu encontrei a minha liberdade. Então, ao longo da minha vida, eu sempre me dediquei ao campo da reabilitação, fui psicóloga de um centro de reabilitação aqui do Rio e, em 1988, eu e um grupo de pessoas amigas, que vinham também militando nesse movimento, fundamos o CVI-Rio. Foi o espaço que eu pude encontrar para tratar muito especificamente desse tema, tecnologia assistiva. Nós temos uma oficina e nela nós empreendemos esse trabalho, onde a pessoa vai, é muito importante que ela mostre o seu desejo, a sua necessidade, e vai ser construído um produto, um objeto, dentro daquela situação particular. Para mim isso é o vital. É o que a pessoa pode fazer com aquele produto, de que maneira ela vai incorporar à sua vida pessoal. E é muito importante que ela dê esse aval.”

Leila Scaf, que é arquiteta e amputada, conta como o CVI a auxiliou no processo de adaptação e independência:

“Há quatro anos atrás, eu fui atacada por uma bactéria, sobrevivi a ela, mas tive que amputar os pés e as mãos para continuar aqui. Eu tive que reaprender a viver, depois de um ano nessa primeira adaptação, eu voltei e, hoje em dia, eu trabalho, moro sozinha, com uma acompanhante sempre, porque eu preciso de ajuda, mas, enfim, com uma certa independência, consegui voltar a ter uma autonomia, com a ajuda do CVI. Eu tentei prótese nos pés e nas mãos, mas, infelizmente, a das mãos não me deu todo o retorno e eu fiz a opção dos pés. E tem algumas ajudas de adaptações que eu ponho no coto, que me dão uma total grande independência. E, às vezes, são coisas muito simples. Não é de uma tecnologia sofisticada, é o que ela pode dar de liberdade para a pessoa, e aquilo ser um ponto fundamental para a vida comum dela.”

Antonio Borges, pesquisador, fala sobre o avanço das tecnologias e sobre como elas são importantes para a autonomia das pessoas com deficiência:

“Eu trabalho na área de computação há mais de 40 anos, e acompanhei a evolução da computação. Há aproximadamente 22 anos, quando eu estava dando aula sobre computação gráfica na universidade, tinha um aluno cego e eu não sabia nada sobre esse tema. E, naquele momento, a tecnologia para pessoas cegas era muito precária. Graças a esse trabalho conjunto, uma grande quantidade de programas foram criados que permitem, hoje, que a pessoa cega interaja plenamente com o computador e o utilize para ler, escrever, trabalhar, para lazer. Essa área da tecnologia assistiva deu um salto tão extraordinário e, hoje, é possível, fazer coisas que são completamente inimagináveis. A pessoa que tem, por exemplo, a esclerose lateral metrófica, que tolhe completamente os movimentos, elimina a fala e só resta o olhar, hoje consegue falar utilizando os olhos, consegue escrever utilizando os olhos, consegue controlar uma cadeira de rodas usando os olhos. Isso é tecnologia, mas não é simplesmente um luxo, você não tem opção, você não consegue andar, então a cadeira de rodas faz parte de você.”e visual, no mercado de trabalho ainda tem que expandir muito.”

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