Lucas Holanda tem 18 anos e quer ser jornalista. Ele mora com a avó Miriam Soares e tem paralisia cerebral. Miriam falou sobre a paixão do Lucas pelo esporte:

“Quando ele foi de criança para adolescente, desde que começou a entender as coisas, ele sempre falou que ia ser jornalista esportivo, porque ele gosta muito de futebol, não perde nada de futebol. Teveram até pessoas que me perguntaram como ele ia ser jornalista se tem dificuldade na fala. Eu falei: 'Não, ele vai trabalhar lá na parte da redação, escrevendo', porque no computador ele escreve tudo. Não tem nenhum erro de português. Em casa eu me comunico bem com ele, tudo eu o faço falar”.

Nossa equipe foi até Curitiba conhecer Felipe Nunes. Ele tem 16 anos, adora andar de skate e tem deficiência física. Felipe contou como começou a praticar o esporte:

“Com uns 13 anos, ganhei o primeiro skate e comecei a usar para me locomover, abandonei a cadeira de rodas. Daí, comecei a ir na pista com os "piás" lá e comecei praticar. O skate me proporcionou muita coisa, eu evoluí muito depois que comecei a focar mais no skate, já comecei a ter uma visão diferente da vida e as pessoas começaram a me ver com outros olhos. Eu não quero que as pessoas me vejam como um coitado, eu quero mostrar que nada tem limite, quero andar de skate o máximo possível. O skate, para mim, é como se fosse uma família. A gente se junta, ajuda a arrumar um lugar, uma pista, um obstáculo, qualquer coisa para andar de skate. A gente mesmo monta, se junta com amigos e vai andar. Isso é uma família, uma união”.

Xico Bondioni tem 15 anos, é estudante e tem síndrome de Down. A mãe dele, Lais Pimentel, falou sobre a transição para a adolescência:

“O Xico fez agora 15 anos. Ele pode ter deficiência intelectual, mas ele é um rapaz. E ele é um rapaz adolescente que traz todas as alegrias e as chatices que os adolescentes trazem. Ele voltou a andar a cavalo, um pouco porque a postura dele estava meio esquisita, que é uma coisa típica de quem está crescendo. A adolescência já é um momento delicado por excelência, tem a transformação hormonal. E o adolescente é um ser em transformação intensa. E não é só ele, quem está em volta também está sentindo tudo isso. Eu acho que a adolescência pode assustar qualquer um, tendo ou não um filho com deficiência. E hoje em dia eu amo, amo ser mãe de adolescente. Eu voltei a ter muito da minha liberdade. Você tem que ter um equilíbrio entre a sua paranoia e o seu medo, e o desejo de autonomia dele. Então o Francisco tem mania de falar: 'Vou fazer sozinho', 'vou descer e fazer tal coisa sozinho', que lógico que não, mas ele vai chegar lá. Eu me mudei para perto da escola, porque eu queria que a rede de amigos entrasse com força, porque quem tem adolescente em casa sabe que pai e mãe têm um limite. Tem uma hora que pai e mãe não vão ouvir, então é a mesma coisa uma pessoa com Down. Eu acho que tem que cortar mesmo o cordão. Eu acho que esse é um tema que está sendo bastante conversado agora, que é a adolescência das pessoas com deficiência em busca dessa liberdade, dessa autonomia, que é um direito deles”.

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