Nossa equipe conversou com Eduarda Emerick, que é estudante de Biologia e tem deficiência visual. Ela contou sobre seu processo de amadurecimento:

“Você sai da adolescência e entra na fase adulta e o que acontece quando nós passamos por essa transição e com uma deficiência? Acho que em primeiro lugar você tem que se aceitar, depois que você se aceita, você vai dando os seus passos. Vou dar um exemplo bem básico, o que é comum para uma jovem que enxerga, fazer as coisas sozinha, ir para uma universidade, voltar, ir ao shopping, ir a um cinema. E quando você tem deficiência visual? Pegar a bengala, sair de casa, pedir informação, lidar com as situações do dia a dia, é um processo gradativo, é aos poucos. No meu caso, como mulher: será que combina? Será que essa jaqueta combina? Será que essa blusa combina? É fundamental para a gente se sentir bem, aprender a fazer as coisas sozinha. Nesse Dia Internacional das Mulheres, eu gostaria de deixar um recadinho. Para você mulher, independente se você tem ou se você não tem alguma deficiência ou alguma mobilidade reduzida, independente disso, independente de qualquer coisa, corram atrás dos seus sonhos, busquem a liberdade. Procure a sua independência, mas, acima de tudo, procure o que te faz feliz.”

A jornalista Jéssica Paula tem deficiência física e viajou sozinha para a África. Com o objetivo de contar histórias de vítimas dos conflitos no continente, ela escreveu o livro Estamos Aqui. Jéssica falou sobre como surgiu a ideia e quais foram os maiores desafios da viagem:

“Eu estava na universidade ainda e precisava de um bom tema para o meu trabalho de conclusão de curso e uma boa desculpa para viajar de novo. Então, eu tive a oportunidade de conhecer o Marrocos, a Mauritânia e, ali, eles estavam recebendo muitos refugiados dos países em conflitos vizinhos e, aí, eu tive a ideia: "Caramba, refugiado deve ter tanta história de vida bacana." E eu comecei a procurar por histórias de conflitos que ainda não foram contadas. O meu roteiro de viagem foi: Etiópia, Sudão, Sudão do Sul e Uganda, nessa ordem. Na Etiópia foi o primeiro choque, porque a cidade não conta com muita estrutura. Por exemplo, chegou uma vez que eu estava no meio da rua e começou a chover e a rua ficou toda enlamaçada, e eu ali, no meio da rua com a muleta escorregando. E, para as mulheres, é de muito bom tom que você use véu. Eu tinha uma canga que eu comprei no Rio de Janeiro, que tinha o Cristo Redentor todo colorido, eu a peguei e fiz de véu. Mas, por andar com a muleta, eu não tinha como, porque, com o vento, o véu acaba saindo da cabeça. E como eu não tenho as mãos livres era bem complicado, então eu evitava ao máximo andar de véu, e fora o calor. Eu peguei 52º graus de temperatura e a borrachinha da muleta se desfez no asfalto.”

 

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