O Centro de Reabilitação Oscar Clark promove um atendimento multidisciplinar para crianças e adolescentes. As principais terapias utilizadas nesse tipo de tratamento são a fisioterapia, a terapia ocupacional, a fonoaudiologia e a musicoterapia. Ana Cristina Fernandes, que é fonoaudióloga, falou sobre o projeto:

“Faço parte dessa equipe, onde a gente faz um trabalho interdisciplinar, de integração sensorial. E trabalho a comunicação, a linguagem e também a parte de alimentação. Muitas vezes essas crianças precisam primeiro conseguir ter um trabalho oromiofuncional adequado para que, depois, a gente possa pensar em uma futura fala. Então, muitas das vezes, a gente vai conseguir uma fala mais arrastada, mas o que importa é que ele tenha o apetite de se comunicar. Esse trabalho que a gente faz junto é muito legal, porque eu não posso pensar em uma boca sozinha, é uma boca que está dentro de um corpo, e que se eu não consigo adequá-la, posturar essa criança de forma adequada, eu não consigo que essa boca funcione bem. Cada terapeuta vai entrar naquele caso no momento certo. Uma ajuda a outra e a gente sempre tem um olhar global dessa criança, como um ser humano e não como uma pessoa que precisa andar, uma pessoa que precisa escrever, uma pessoa que precisa falar. Não, ela é um todo.”

A equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo para auxiliar no desenvolvimento psicomotor. Nossa equipe visitou um centro de reabilitação que realiza sessões de equoterapia com crianças e adultos. Tânia Frazão, que é fisioterapeuta, contou o objetivo da atividade:

“Para cada tipo de dificuldade motora existe um cavalo, que é previamente escolhido e que vai ter o movimento mais adequado para facilitar a reabilitação desta pessoa. Então, nós temos cavalos que provocam relaxamento, nós temos cavalos que aumentam o tônus muscular das pessoas, cavalos que têm características que dão mais mobilidade, outras mais estabilidade. É importante saber que o cavalo é o instrumento terapêutico, que tem que ser previamente escolhido e adequado à necessidade de cada praticante. O tratamente é individual e é como qualquer outra atividade terapêutica. É preciso a pessoa passar por uma avaliação clínica, então o médico indica a atividade, depois ele passa por uma avalição no centro de reabilitação e é montado um programa para ele de atividades, que vão facilitar o seu restabelecimento ou seu desenvolvimento. No caso específico de algumas deficiências como o autismo, o cavalo é usado, principalmente, não só através do montar, mas em todo o seu contexto. Desde buscar o cavalo na baia, colocar o equipamento, limpar o cavalo, todos esses momentos são utilizados para estimular as questões que essas pessoas apresentam quanto à sua dificuldade. Normalmente as crianças gostam muito, se apaixonam pelos animais, isso começa a fazer parte da vida deles. E, após a alta do tratamento, eles querem continuar a montar. Então, durante as atividades terapêuticas, a gente já insere também conceitos esportivos, que são os programas pré-esportivos. A gente já ensina para eles algumas técnicas, algumas questões específicas do esporte. E aí , no futuro, ele pode praticar o esporte, o hipismo ou o hipismo adaptado, ou mesmo o adestramento, que é paralímpico.”

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