Nossa equipe foi até a Universidade Federal Fluminense, a UFF, conhecer Andréa Faria, estudante de Pedagogia. Ela tem nanismo e falou sobre como quebrou o preconceito com a educação especial:

“No início do curso, eu ainda estava em dúvida com o que ia me especializar na área da educação. Eu não me interessei pela educação especial até mesmo por essas pessoas fazerem essa associação da minha imagem, pessoa com deficiência, com educação especial, como se fosse a única coisa com a qual eu pudesse trabalhar. Essa minha própria resistência se rompeu quando eu passei a fazer a disciplina de Educação Especial que tirou a trava dos meus olhos. Eu comecei a me interessar, porque eu via também na aula a articulação teoria e prática. Hoje tenho desenvolvido pesquisas com relação a esse acesso na universidade, não só aqui na UFF, mas em outros espaços, fico atrás de reportagens que falem sobre isso e publico na internet, quando tem alguma coisa que fere essas leis, quando tem algo criminoso, eu divulgo na internet, fico bastante revoltada. E fiz também o que eu acho mais interessante para minha participação na Universidade, pelo menos na minha faculdade, na minha turma, eu fiz com que outras pessoas também tivessem essa consciência.”

Vanderlei Ribeiro é professor de História da UNIRIO e tem deficiência visual. Nossa equipe conversou com ele para saber sobre seu trabalho e a relação com os alunos:

“A minha opção por ser professor de História, eu trago desde os dias do Benjamin Constant, ainda, ali, eu já dizia que se eu cursasse faculdade, eu cursaria História. Fiz a graduação na UFRJ, o mestrado na UFRJ, o doutorado na UFF. Quanto à questão da mobilidade, eu uso sempre a bengala. Mas os campus universitários, eles são, para nós, muito complicados, porque você não tem uma identificação, você não tem placas em Braille ou coisas do gênero. Uma pessoa que enxerga vai poder usar o quadro, eu não vou poder usar o quadro. Hoje já tem o computador que é mais fácil. Eu faço os slides e vou colocando tópicos. Eu acho que eu consegui ser mais conhecido pelo fato de ser um professor "linha dura" do que propriamente por ser um professor cego. Porque a minha peocupação não é que as pessoas pensem em mim como professor cego. Eu quero que pensem que é o professor Vanderlei de História da América, que é um professor que cobra, que passa uma caçambola de texto em espanhol, que cobra presença, que cobra que as pessoas estejam atentas. Quem está aqui não é um professor cego, quem está aqui é um professor que, por acaso, é cego.”

A Divisão de Acessibilidade e Inclusão, projeto conhecido como Sensibiliza UFF, é um departamento dentro da Universidade Federal Fluminense responsável por oferecer apoio às pessoas com deficiência que estudam e trabalham na universidade:

“O Sensibiliza UFF é um espaço dentro da universidade que está aqui para atender às demandas dos alunos que têm algum tipo de deficiência. Nem todos os alunos que entram na universidade necessariamente vão precisar de algum apoio, mas, se eles precisarem, a gente está aqui para poder dar esse tipo de assistência. Por exemplo, um aluno que entra e tem baixa visão, às vezes, o professor não está preparado para receber o aluno, então ele entra em contato e a gente procura o coordenador do curso, procura o professor e tenta orientá-lo para que ele teha uma qualidade de ensino boa. Uma das grandes dificuldades em geral, não só dentro da universidade, mas no Brasil todo, são as barreiras arquitetônicas. A gente procura o setor dentro da universidade que é responsável pela parte arquitetônica, e mostra o que está dando dificuldade para esse aluno, para que, de alguma forma, eles consigam resolver esse problema.”

No quadro Dica, Sandro Colaço de Lima, que é atleta e é cadeirante, fala sobre os serviços da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná:

“A Associação dos Deficientes Físicos do Paraná foi fundada em 1979. Desde então, a associação atua na área prestando serviços a pessoas com deficiência, com foco, principalmente, na reabilitação das pessoas recém-acidentadas ou lesadas medulares. Os serviços que a ADFP, hoje, oferece gratuitamente são: fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia. A gente faz encaminhamento ao mercado de trabalho, fazemos capacitação através de convênios com instituições de ensino, onde as pessoas com deficiência dão continuidade aos seus estudos. Temos departamento de esporte, onde ADFP possui mais de 70 atletas em diversas modalidades. O mais forte da associação é a reabilitação em si. Muitas vezes as pessoas recém- acidentadas ou que têm algum tipo de deficiência vêm para a ADFP, recebem todo tratamento voltado à sociabilização e ao encaminhamento dela à sociedade.”

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